terça-feira, 2 de novembro de 2010

A nova ordem dos Calças Coloridas

A democracia é uma faca de dois gumes MESMO. Pense no Brasil como uma nação devidamente informada, consciente e detentora de um senso de auto-questionamento acima de qualquer suspeita. Imagine ainda que o dever cível de cada cidadão brasileiro estivesse colocado acima de qualquer suspeita, e que cada um estivesse cumprindo este dever de maneira coerente, contestando e analisando propostas de candidatos a serem votados nas eleições e ...voiala! Acorde, pois você já está atrasado para o serviço. Que puxa!
A democracia ganhou uma nova face: um revolver carregado na mão de um macaco. O povo (o macaco em questão, sem piadas racistas, por favor) tem uma ferramenta poderosíssima em mãos que é a própria democracia, conseguida com muito custo, suor e sangue ao longo dos anos de ferro e de ditadura no Brasil, mas que acabou se tornando uma torta de palhaço na cara do outro.
E não é que o candidato Tiririca foi eleito?!! O palhaço com campanhas estapafúrdias que invadiram os horários políticos como se fosse uma chamada para um desses programas de comedia brasileiro, onde os bordões pretensamente cômicos se fazem valer, tais quaais esses Zorras Totais” da vida. Culpa de quem? Dos imigrantes de outros estados residentes em São Paulo pouco instruídos que viram no palhaço uma imagem de superação e, sabe-se-lá porquê caralhos se identificaram com ele? Ou dos abestados e malfadados “descolados” que resolveram votar nele em caráter de um pseudo-protesto, alegando que se Brasília já é um picadeiro, que coloquem palhaços de verdade no planalto? Como proceder diante de tal realidade?
Talvez a solução seja o voto facultativo. É! O voto facultativo. Grande solução! Votariam apenas aqueles que se interessam pela causa. De maneira séria e consciente as pessoas moveriam suas respectivas bundas às urnas de votação e fariam, de novo, a maravilhosa festa da democracia acontecer, como se sucede em outros seguimentos onde a votação é facultativa e de cunho popular.
Um exemplo “fantasticamente fantástico” são as votações do VMB da MTV. A democracia na sua mais pura essência. A festa de premiação mais badalada da música brasileira há alguns anos vem sendo decidida pelo povo, que vota facultativamente nos artistas de sua preferência. Ah! Que beleza. Como é a bela a democracia. O povo escolheu, então, sabiamente os mártires da música brasileira atual, aqueles que colocam as diretrizes, as referências, em termos artísticos, em evidência. Pudemos contemplar a vitória de grandes nomes como Restart, Cine, NX Zero...É. Essa historia de voto popular é complicada. O povo (pessoas de faixa etária física e/ou mental entre 8 e14), votou em seus ‘queridos’, suas preferências, nada mais justo, porém isso me remete a uma celebre frase que diz que a “toda unanimidade é burra”.
Não sou do gênero intelectualoide, desses que se derrete de amores, por Caetano, Gil, Chicos (buarque, césar). Pelo contrário. Acho todos eles um baita saco. Mas é uma triste constatação o fato de que o voto facultativo também poder ser usado para o mal, no caso, pré-adolescentes sem muitos afazeres em seu dia a dia, com seus computadores e acessos à internet rapidissississiSSIcimos votando intermitentemente em bandas que “com certezamente” serão motivos de chacota e vergonha alheia em um futuro não muito distante. Reitero também que mesmo não gostando nem um honorável pouquinho dessas bandas citadas, acho que, para o bem ou para o mal elas tem sua função na vida de quem às ouve. Cada um deve ouvir o que quer, e quando bem entender. As bandas fazem sua parte e agradam (ou não) o publico para qual se destina a sua musica.
Mas o fato da opinião ser uma inconstante para essa faixa etária de pessoas, que como já disse, em um futuro vindouro será contraria ao atual, torna o voto facultativo popular uma demérito da democracia em situações como esta, já que a opinião pessoal do cidadão foge de sua futura realidade.
Opinião inconstante, no entanto, não perfaz o voto a cargos políticos. Ao contrario, a grande maioria das pessoas que possui uma opinião política com certeza já tem seus conceitos e interesses embasados nessas opiniões, tornando-a mais duradoura. Mas o que causa repúdio é o fato de se utilizar o voto como artifício de piada interna, ou seja, só o caboclo que votou vai dar risada do feito, mais a meia dúzia de seres humanos em seu rol de amizades e as conseqüências que se danem. Interesses políticos todo mundo tem e deveria ter. Mas, embora seja bizarra essa comparação do voto facultativo da premiação do VMB com o voto obrigatório das eleições gera-se a partir daí um parâmetro em relação ao que realmente importa para as pessoas. Os fãs das bandas já citadas votam com fé e devoção e que se foda todo resto, eles acreditam naquilo que estão votando e o fazem por amor à causa. Já o voto obrigatório é utilizado com um bocado de má vontade e, em alguns casos como chacota. Canso de ver pessoas reclamando de ir às zonas eleitorais para registrarem seu voto em candidatos que mal sabem elas a que se proporam. Votam nele “por maioria de votos” (redundância. Adoro).
“Votei ni fulano por que fulana não vai ganhar nunca”, ótimo, você acabou de constatar sua falta de juízo moral e pessoal. Você abriu suas pernas, você cedeu, sem ao menos tentar questionar uma imposição, você concordou com o sistema. Será que os fãs de Restart pensaram assim na hora de votar na premiação do VMB? Garanto que eles não titubearam em votar em seus ídolos. E por que? Por que acreditam na causa, por mais escrota e colorida que seja.
Pode parecer um tanto lúdica essa comparação, mas para certos fatos não existem argumentos. Você apóia aquilo que te interessa. Simples. Não tem mistério. Por isso acho que o voto facultativo nas eleições políticas seria de extrema valia, pois votariam apenas aqueles que realmente demonstram interesse nas causas políticas nas quais acreditam. As pessoas que não tem esse interesse, não teriam a necessidade de sair de casa para fazer algo que mal sabem o que pode acarretar. Se você não tem interesses políticos, tudo bem isso não é um demérito total. Mas será que, no caso do voto facultativo, a contagem de votos atingirá um número considerável e expressivo?
Sim. Eu sei que o voto facultativo no Brasil não será uma realidade tão breve, justamente por conta dessa falta de interesse e, é obvio que é muito mais fácil ludibriar as pessoas que não são aprofundadas no assunto, por tanto, muito mais fácil de conseguir votos massivos.
Tiririca e Restart. Criador e criatura. Nada mais justo. A ordem dos Calças Coloridas foi instaurada. Nossa! Quando havia começado a escrever esse texto não havia me dado conta dessa coincidência. Pelo menos agora já sei que nome dar ao texto.
Enfim, esse foi um texto quase retórico, sem maiores pretensões de chegar a lugar algum. Se quiser uma opinião mais ácida a respeito das eleições, confira no blog do meu amigo Gleison Raphael http://10comentarios.wordpress.com/2010/11/01/eleicoes/ sem meias palavras.

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